Posts de setembro \29\UTC 2009

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3800 jornalistas e o mundo digital

29 de setembro de 2009

“A vida para além da impressão”, é o novo estudo integrado na Kellogg School of Management e da Medill School of Journalism da Northwestern University, sobre as opiniões de 3800 jornalistas em 79 redacções em relação ao mundo digital.

O estudo afirma que os jornalistas americanos querem uma mais rápida transição do papel para a plataforma digital, que, ao contrário do desejado, se revela lenta.

ler o estudo: http://www.mediamanagementcenter.org/research/lifebeyondprint.pdf

Bruno M. Ventura

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Revisão da portaria de Estágios preocupa SJ

23 de setembro de 2009

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) considera que a decisão do Governo de rever, a escassos dias das eleições, a portaria que regulamenta o estágio de início da profissão, não garante o debate sereno sobre a matéria que seria desejável.

Em comunicado divulgado ontem, 22 de Setembro, o SJ lembra que a revisão da portaria é uma reivindicação antiga do sindicato, que desde 1999 apresentou aos sucessivos governos propostas nesse sentido. O que não faz sentido para o SJ é que, para cumprir um «encargo de legislatura», o Governo venha a tomar uma decisão precipitada em fim de mandato.

Apesar disso, o SJ apresentou o seu parecer sobre a proposta de revisão, sublinhando, entre outros aspectos, que é necessário pôr termo à confusão entre estágio curricular e estágio profissional, o que não sucede com o texto proposto pelo executivo, bem como deixar claramente expresso no diploma que o estágio de início da profissão implica um contrato de trabalho e a respectiva retribuição.

Ler totalidade da notícia em: http://www.jornalistas.online.pt/noticia.asp?id=7592&idselect=3&idCanal=3&p=0

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Entrevista a António Granado

22 de setembro de 2009

Regressei à quarta dimensão, após um longo período de pausa, pedindo desde já desculpas a todos os poucos mas fiéis seguidores por esta ausência não premeditada.

Estreio este regresso com uma entrevista a António Granado, cumprimentos a todos.

granado1 O editor do Público.pt e autor do blogue Ponto Media, jornalista que acaba de atingir  os seus 15 anos de profissão e entusiasta da internet desde que se conhece, fala-nos da importância da web para o jornalismo, da controvérsia da carteira profissional e das dificuldades da sua obtenção para os jovens aspirantes.

4Dimensão: Que impacto tem a internet no jornalismo actual? 
António Granado: Com a internet, o jornalismo tem uma nova oportunidade de se transformar. Já assistimos a várias formas de se fazer jornalismo, a internet é apenas mais uma. Com esta plataforma, podemos dar mais informação e uma informação muito mais completa aos nossos leitores: um jornalismo 360º.

4D: Mas, até que ponto é que não será prejudicial esta «explosão» de informação para os media?
AG:
Esta «explosão» irá obrigar os jornais a terem de se superar, dando mais e melhor informação; e o facto de existir uma multiplicidade de fontes de informação apenas poderá potenciar o trabalho jornalístico. Perante este cenário, o jornalista fica com um papel importante, o de escolha. As pessoas não têm hipótese de visitar milhares de websites por dia, cabe ao jornalista escolher a informação mais importante para  o leitor. Contudo, apesar de já existir esta diversidade de fontes, os jornais tendem a imitar-se uns aos outros, isto é, todos  acabam por  tratar o mesmo assunto ao mesmo tempo; isso é que é preciso  mudar. Acredito que os jornais se diferenciarão quando fizerem apostas próprias.

4D: Com a facilidade de acesso às ferramentas de trabalho e com a dinâmica do recente cidadão repórter,  não se estará a diluir a barreira entre o jornalismo e o dito não-jornalismo?
AG:
Considero que a fronteira está a diluir-se, mas acho que não é por ter carteira profissional que sou jornalista. O que nos faz jornalistas é o aderirmos a um código deontológico, tal como acontece nos EUA ou em Inglaterra. Em muitas das principais democracias do mundo não há qualquer documento que prove que uma pessoa exerce jornalismo, o jornalista apenas poderá diferenciar-se pela  sua credibilidade e pela sua reputação. Os cidadãos têm de funcionar como uma valiosa fonte de informação. Conseguimos provar o que o cidadão repórter nos trouxe? Então publicamos!

4D: Está a começar a haver uma total convergência de meios.
AG: Não há dúvida nenhuma que está a haver uma convergência de meios de comunicação social, uma convergência de plataformas. O mais curioso é que todas essas convergências se estão a resumir ao pequeno ecrã: ao telémovel e aos vários tipos de computadores portáteis. Mas, voltando ao assunto do jornalismo cívico, também podemos  falar de  uma convergência entre produtores e consumidores: os produtores estão a consumir e os consumidores estão a produzir, o que é inédito. Todavia, a maior convergência a que assistimos, inquestionavelmente, dá-se na internet.
 A deslocação dos jornais para a rede deve-se à dificuldade destes atrairem novos leitores. Estou cada vez mais convencido de que não será possível ir buscar nem mais um leitor para o papel! Mas não é por isso que as pessoas deixam de estar informadas! Fala-se muito desta nova geração que não lê jornais, mas esta geração está muito mais informada do que as gerações anteriores! Escreve muito melhor em comparação às gerações anteriores! É porque estão a receber informação através de outros canais.

4D: Então poder-se-á dizer que a internet é o principal canal de informação da actualidade?
AG:  Não esqueçamos que existe uma camada brutal da população portuguesa que não utiliza a internet. Recordo, por exemplo, uma questão levantada numa recente conferência por João Duarte,  da empresa Young Networks, relativamente a uma candidatura às eleições autárquicas lançada no Youtube, para a presidência da Câmara de Caminha. O mesmo disse: “Quantas pessoas de Caminha viram o lançamento da candidatura no YouTube? Mais valia ter feito um comício com o Quim Barreiros!”. Portanto, é preciso ter alguma noção da realidade envolvente.

4D: Mas a internet já teve um enorme impacto nos media. Considera que se repensará a questão da carteira no nosso país com esta iminente redefinição da profissão?

AG: Talvez. Acho que a carteira não faz qualquer sentido, traz imensos problemas. Posso apontar 20 ou 30 só no nosso país!

 
4D:Sinta-se na liberdade de apontar.
AG: Considero relutante o facto de dois jornalistas séniores ficarem encarregues de assinar a carteira de um júnior, isto é, encarregues de atestar a sua capacidade. Desculpe, mas a sua capacidade está atestada! Dificultam imenso a questão dos freelancers: não se pode ter uma carteira de freelancer sem se ter trabalhado num jornal, o que é absolutamente rídiculo! Deveria ser exigido apenas um portofolio actual. A partir dos 15 anos de profissão não é necessária qualquer assinatura, senti isso na última vez que renovei. Ou seja,  serei jornalista até morrer. Posso já estar reformado e ainda ter carteira profissional, o que não faz sentido nenhum.

Bruno M. Ventura

(BREVEMENTE DISPONÍVEL EM VÍDEO) 

 

 

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